Trezentos e sessenta e cinco em trinta.
Acho engraçada a forma do tempo agir. Não engraçada no sentido de hilária mas sim da forma como as coisas acontecem e não acontecem, a fim de marcar algo que é chamado de destino por uns, acaso por outros. Eu? Chamo isto de vida! Afinal, só o simples fato de passar o olho por estas letras já é único no seu ínfimo valor, mas não vou me mantêr a detalhes, tenho algo a relatar.
Falo isto mas é claro que o tempo… não, a vida, agiram da mesma forma comigo. Engraçada, não no sentido hilário, mas de forma a arrancar-me um sorriso, ou dois ou até mais. Enfim, lembro-me de exatos trezentos e sessenta e cinco dias atras, e lembro-me com muita clareza o caminho que tomava. Era outro o lugar que eu gostaria de estar, mas, novamente, o tempo age de uma forma engraçada.
Estava presente em corpo, mas creio que não em mente. Várias eram as variáveis para isso. Aborreci meus amigos de uma forma tremenda por não largar o celular, mas isso sempre o fiz, mania feia e estranha, mas que não sai de mim. Agradecendo isto ou não, foi em uma ligação que tudo se fez presente. De repente eu tinha carona e de repente minha mente encontrou seu corpo novamente, tomando o caminho que gostaria. Estava frio, não tão frio quanto na data atual mas ainda assim, frio, e somado ao vento que soprava naquele dia era totalmente justificável o fato de eu insistir para que usasse minha blusa. Aquele momento, sentado embaixo daquela marquise, tão proximos quanto nunca antes…
Me desculpe, devo fazer uma pausa para colocar a cabeça em ordem, afinal são muitas coisas que acontecem em um tempo que pode ser considerado demasiado longo, que seria um ano. Em um ano, poxa, não consigo nem descrever, tanta coisa acontece. Tanta coisa aconteceu. Foram sorrisos espontâneos, lágrimas justificadas, lágrimas que depois viraram risos, abraços, carícias e discussões de coisas irrelevantes e sem graça… Momentos… Tempos marcados no fundo de minha memória, e que apenas deixaram de ser no fim dos tempos.
Lembro-me de pegar o taxi, e meu braço ficar comprido acima do banco, havia um receio envolvido, mas naquele momento resolvi deixá-lo de lado. Trocavamos palavras e, de certa forma, não acreditava que a noite acabaria da forma que acabou. Olhamos as estrelas, e acredito não conhecer um local, dentro da cidade que favoreça a visão do céu noturno tão bem quanto aquele. Céu limpo e estrelado, abraço no sereno, coisas assim, sem preocupação alguma, que são simples mas marcantes. Novamente… Momentos.
Era hora de ir, mas eu não queria, e não me deixaram. O frio de certa forma ajudou, cobertas e conversas com a música da TV ao fundo. Cada música que tocava era um refrão que eu cantava, não sei como mas eu conhecia a maioria das músicas que ecoavam ali. Talvez fosse o momento. Uma brincadeira sorrateira que brindava todos aqueles instantes, fixando tudo em minha mente. Receio e medo tornaram-se um, o que se passava em minha mente era que tudo aquilo se tornaria o ponto alto do meu mês. Bom, é fácil pensar isso quando se é o último dia do mês, mas a questão é que, não foi apenas um ponto alto, algo para se achar o máximo, foi algo que palavras, imagens e sensações tentam explicar, mas não conseguem.
Olhava a frente e sentia o calor, vindo de algum lugar que não sei, mas que aquecia tudo por dentro, e eu simplesmente sabia que ali, naquele instante, em uma hora exata e cravada, aquele doce toque ia tocar muito mais do que apenas meus lábios, mas sim a minha vida. Algo que nem a breve ameaça de ser chutado para fora de casa no dia seguinte pela manhã, que tornou-se chuvosa, não aplacou. O tempo realmente age de uma forma engraçada, lembro-me de tudo, detalhes, imaginações, pensamentos e perspectivas para um futuro. Para hoje, trezentos e sessenta e cinco dias depois. Muita coisa se passou, muito se fez e se sentiu. Hoje enxergo a mudança que ocorreu em mim, acho que não é difícil de ver se comparado a meu eu de dois ou três anos atras. Mas não quero perder o foco, afinal, não estou falando de mim e sim de um dia.
Sinto não poder escrever mais sobre, as palavras vão se esvaindo e perco o ritmo, isso sempre acontece, mas enfim… sei como as coisas mudam, como pessoas mudam, prioridades, experiências e tudo o mais, sei que, hoje, pode ser apenas um dia qualquer que marca algo que aconteceu a um ano atras, afinal, tantas coisas aconteceram apenas neste dia a um ano atras, assim como muitas outras coisas aconteceram durante todo este ano e não são lembradas da mesma forma, mas estão conectadas de uma forma igual, é algo que eu acredito, e que ficou em mim, nada foi em vão. Porque eu sei que da mesma forma que me tocaste sei que toquei a ti, e digo isto da forma mais sã possível, sabendo que tem um futuro imenso a frente de cada uma de nossas vidas, e que o tempo vai agir desta forma caprichosa e engraçada mais uma vez, e outra, e outra, e nunca irá parar. Vou cruzar contigo na rua, te cumprimentar, abraçar e olhar mais uma vez o seu sorriso que tanto gosto e lembrar de tudo que se passou entre nós, e saber que fiz parte do que tu te tornou e tu também moldou o que serei. Afinal, é a forma que o tempo acha para agir, esta forma engraçada.

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